Quando o ano de 1997 começou ninguém esperava que o Rio Branco iria tão longe. Não havia sido nem campeão acreano no ano anterior, o que deixava mais claro ainda o despreparo da equipe. Até os mais otimistas não viam motivação nenhuma naquele time, formado a pouco tempo e sem grandes ídolos, mas o time contava com o talento do corajoso técnico Marcelo Altino e o que ninguém esperava aconteceu: o Rio Branco terminou aquele ano como o melhor de toda sua história. Sabe porque? Por obra do destino.
Logo no começo do ano, por volta de fevereiro ainda, começou a Copa do Brasil. O Rio Branco tinha sido agraciado com um adversário considerado fraco na primeira fase, coisa que não se repetiria na segunda e nem na terceira. Seu primeiro desafio foi o Baré de Roraima. Terça-Feira dia 25 de fevereiro de 1997, nosso time estreiou na competição vencendo o Baré por 3 a 2, no José de Melo contando com um público razoável, que foi ao estádio mais por diversão e por não ter nada o que fazer em casa, mas o Rio Branco venceu e foi jogar em Boa Vista com o empate a seu favor, e foi o que conseguiu. Os poucos torcedores que ouviram a transmissão pela Rádio Difusora, puderam escutar o empate em 1 a 1 no estádio Treze de Novembro, no dia 03 de março. Uma etapa fora vencida. Viria então a segunda.
A primeira fase acabou e restaram 32 clubes na competição. O Rio Branco, então, ficou sabendo que enfrentaria o Goiás de Goiânia, que no ano anterior havia feito uma campanha regular no Campeonato Brasileiro da Série A, façanha nada desprezível para um time da elite do futebol do Brasil. É claro que o Rio Branco não teria chance. Mas o jogo não havia sido disputado e como dizem, tudo no futebol pode acontecer. O jogo foi realizado dia 13 de março, plena quinta-feira, meio de semana, mas agora sim, se tratava do Goiás e o estádio foi tomado de torcedores, que não acreditavam, em sua maioria, no time local. Mas quando o jogo terminou, notaram que nosso estrelão se tratava de um time talentoso. 1 a 0 para o Rio Branco, resultado que mantinha as esperanças dos acreanos de se manterem na competição, então espalhou-se rapidamente entre todos os acreanos a boa situação do Estrelão, o que só iria a aumentar a motivação do time e dos torcedores, e com certeza, se houvesse o próximo jogo, já pelas oitavas de final, seria visto um José de Melo completamente lotado. O que veremos logo adiante.
O jogo de volta, dia 20 de março, no Serra Dourada, cheio de esmeraldinos confiantes, foi o que se pode dizer um jogo de sorte. Enquanto aqui no Acre, centenas de pessoas iam aos camelôs, atrás de radinhos de pilha, lá em Goiânia, acontecia o que menos se esperava, pelo menos, para o resto do Brasil: o Goiás ganhava o jogo, mas perdia a classificação. 2 a 1 para o Goiás, empate em número de gols mas o Rio Branco ganhava no desempate por ter feito 1 gol fora de casa contra nenhum do Goiás. Inacreditável, mas o Rio Branco estava nas oitavas de final, entre os 16 melhores do país.
E contra quem seria o jogo? Contra o Flamengo do Rio de Janeiro. Era o atual campeão carioca invicto e figurava como figura até hoje, como o time de maior torcida dentre todas do Brasil. O sorteio definiu e o primeiro jogo seria aqui em Rio Branco. O José de Melo se enfeitou todo e recebeu na noite do dia 03 de abril de 1997 um público superior a sua capacidade máxima e talvez, o maior em toda sua história, para ver o Flamengo, com seu time mixto, de jogadores não muito conhecidos na época, mas de renome atualmente, como o goleiro Fábio Noronha e o zagueiro Juan, contra o Rio Branco de titulares nervosos mas determinados a vencer. A partida foi emocionante e noventa minutos depois de ter começado os torcedores puderam comemorar a vitória de 2 a 1 sobre o time rubro-negro, com gols de Bala e Biro-Biro, enquanto o Flamengo descontou com Marcos Aurélio. O país, então, através da forte mídia carioca se surpreendeu e quis saber quem era Rio Branco. Que time seria aquele que vencera o Flamengo, um dos favoritos ao título? Várias reportagens nacionais foram feitas, comentaristas famosos faziam suas colocações e assim, foi armado um grande palco para o jogo de volta.
Incontáveis torcedores com o radinho ao lado do ouvido no Acre. Jogadores ansiosos mas preparados, unidos em busca de superação nos vestiários do estádio maior do futebol brasileiro. Foi assim o retrato do jogo de volta. Estádio do Maracanã com a presença de mais de 50 mil torcedores, Flamengo com seu time titular, dentre eles, Júnior Baiano, Athirson, Sávio e o baixinho Romário... Tinha tudo para que a partida fosse uma festa. Ao fim do primeiro tempo, ninguém acreditava no que estava acontecendo, mas era verdade: o Rio Branco conseguia segurar o 0 a 0 e ia se classificando, mas esse quadro mudou drasticamente quando no começo do segundo tempo, o goleiro acreano Valtemir, levou cartão amarelo em uma jogada duvidosa e perdeu a paciência com o árbitro Kléber Rezende desferindo-lhe socos no rosto e alguns pontapés no traseiro, levando merecido cartão vermelho. O Rio Branco não conseguiu segurar o nervosismo e sentiu o baque. O forte time de Romário venceu por 5 a 1. O Estrelão voltava para casa desclassificado, mas com a cabeça erguida de ter ido sem temer o adversário, voltava pra casa sem medo de dizer que foi forte e que perseguiu a vitória até o fim. Nem o pequeno incidente do goleiro Valtemir foi capaz de dar um sabor triste a derrota. Derrota com sabor de vitória, que serviu para mostrar o Rio Branco para o resto do país, para mostrar o Acre para o resto do país.
O Flamengo acabou vice-campeão. Perdeu o título para o Grêmio, e o Rio Branco, como havia conseguido dez pontos nas três fases, através de três vitórias e um empate, terminou a competição como o oitavo melhor. Isso já fez dez anos, mas essa campanha ainda permanece viva na memória dos verdadeiros torcedores acreanos, que classificam aquele time de 1997, juntamente com o de 2007, como o melhor que o Rio Branco já formou em toda sua trajetória de vida.






bom jogo
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